Banana&Etc

Diversão Arte & Etc


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O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
(Lya Luft)


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30.8.03
 
O Diálogo Eterno
Por Paulo Mendes Campos

A composição respeita a integridade dos versos de dois poetas, sendo utilizada a Obra Poética, de Cecília Meireles e o Itinerário Poético, de Emílio Moura.
As afinidades do lirismo de ambos emprestam ao diálogo unidade e espontaneidade.

The Circle of Lovers - Auguste Rodin

Ele: Porque não te conheci menina?
Ela: Fui morena e magrinha como qualquer polinésia, e comia mamão, e mirava a flor de goiaba. E as lagartixas me espiavam, entre os tijolos e as trepadeiras...
Ele: Porque não te conheci quando ias para o colégio?
Ela: Conservo-te meu sorriso para, quando me encontrares ver que ainda tenho uns ares de aluna do paraíso.
Ele: Teu sorriso é tão puro que te ilumina toda.
Ela: Quero apenas parecer bela.
Ele: Nunca te entendo, tantas te vejo. Qual a que vive, qual a que inventas?
Ela: A vida só é possível reinventada.
Ele: E a vida, que é?
Ela: Ando à procura de espaço para o desenho da vida. Saudosa do que não faço, do que faço arrependida.
Ele: De repente, tudo se torna tão irreal que te sinto invisível.
Ela: Digo-te que podes ficar de olhos fechados sobre o meu peito, porque uma ondulação maternal de onda eterna te levará na exata direção do mundo.
Ele: Tudo em ti é viagem. Viajas até mesmo ao redor de tua inacreditável imobilidade.
Ela: Até em barco navega quem para o mar foi fadada.
Ele: Eis a nossa franqueza: essa necessidade de compreender e de sermos compreendidos, essa febre de ser, esse espanto...
Ela: Agora compreendo o sentido e a ressonância que também trazes de tão longe em tua voz.
Ele: Eu queria que me pertencesses como a cor à luz, como a poesia ao poeta.
Ela: Tenho fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha.
Ele: Tenho medo de mim, de ti, de tudo... Cada gesto que fazes é uma aventura nova que se inicia.
Ela: Nunca eu quisera dizer palavra tão louca...
Ele: Quero-te muito. É como quem recria uma rosa.
Ela: Sou como todas as coisas: e durmo e acordo em tua cabeça, com o andar do dia e da noite, o abrir e o fechar das portas.
Ele: Sonho. És sonho. É tarde, é cedo?
Ela: Quero um dia para chorar. Mas a vida vai tão depressa!
Ele: Ah, ser contraditório, dividido, disperso!
Ela: Somos um ou dois? Às vezes, nenhum. E em seguida, tantos.
Ele: Vieste do Cântico dos Cânticos: "Os teus cabelos são como um rebanho de cabras..."
Ela: Já fui loura, já fui morena, já fui Margarida e beatriz. Já fui Maria e madalena. Só não pude ser como quis.
Ele: Sonho que surges diante de mim como quem desce do Líbano.
Ela: Serás o Rei Salomão? Por isso, em meu corpo vão brotando em mornos canteiros, incenso, mirra, e a canção.
Ele: Fabrico uma esperança como quem apaga algo sujo num muro e ali, rápido, escreve: Futuro.
Ela: Uma palavra caída da montanha dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes.
Ele: É sonho o sonho?
Ela: Nunca existiu sonho tão puro como o da minha timidez.
Ele: Na verdade, eu já te esperava desde o princípio.
Ela: O mar imóvel de teus olhos...
Ele: És linda como a manhã que nasce. Que amor o meu! Olha: até parece que somos eternos, livres e ternos.
Ela: Tu és como o rosto das rosas, diferente em cada pétala.
Ele: E a rosa, a rosa o que será?
Ela: A surda e silenciosa, e cega e bela e interminável rosa.
Ele: Quanto mais nos falamos, mais sinto necessidade de ti. Que nos ficou de tudo o que não fomos?
Ela: Nada sei. De nada. Contemplo.
Ele: Estou diante de ti. Nu e silencioso. Porque não prevaleces deste instante e não me revelas quem sou?
Ela: Ah! Se eu nem sei quem sou...
Ele: para onde vão os teus caminhos? De onde vêm eles?
Ela: Primeiro, foram os verdes e águas e pedras da tarde, e meus sonhos de perder-te e meus sonhos de encontrar-te. Mas depois houve caminhos pelas florestas lunares, e, mortos em meus ouvidos, mares brancos de palavras. E eram flores encarnadas, por cima das folhas verdes. (E entre os espinhos de prata, só meus sonhos de perder-te...).
Ele: Aqui, estou, tímido e humilde.
Ela: Pois aqui estou, cantando.
Ele: Agora que estou diante de ti, já não me pertenço.
Ela: Nossas perguntas e respostas se reconhecem como os olhos dentro dos espelhos. Olhos que choraram.
Ele: Tua presença me invade como a revelação do irreal.
Ela: Conversamos dos dois extremos da noite, como de praias opostas.
Ele: Diante dos meus olhos matinais, as coisas se ordenam simples e perfeitas: o céu, o mar, teu corpo. Ah, o teu corpo!
Ela: Por mais que me procure, antes de tudo ser feito, eu era amor.
Ele: Que tudo o mais é perdido.




27.8.03
 
Gilka Machado
(1893 - 1980)


Poesias Completas
(Cristais Partidos)


Insone

Noite feia. Estou só. Do meu leito no abrigo
cai a luz amarela e doentia do luar;
tediosa os olhos fecho, a ver, se, assim, consigo,
por momentos sequer, o sono conciliar.

Da janela transponho o entreaberto postigo
entra um perfume humano impelido pelo ar...
"És tu meu casto Amor? és tu meu doce amigo,
que a minha solidão vens agora povoar?

A insônia me alucina; ando num passo incerto:
"és tu que vens... és tu! - Reconheço este odor..."
Corro à porta, escancaro-a: acho a Treva e o Deserto.

E este aroma que é teu, aspirando, suponho
que a essência da tua alma, ó meu divino Amor!
para mim se exalou no transporte de um sonho.



Foto: Jan Saudek - Hungry for your touch - 1971


"(...) Gilka Machado foi a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma. Nem sua ousadia tinha impureza, mas punha à mostra a riqueza de seus sentidos, especialmente de um pouco explorado em poesia, o tato. Sua sensibilidade é requintada, algo excêntrica, mas profundamente feminina."
Ramos, Péricles Eugênio da Silva [1965]. Gilka Machado. In: ___. Poesia simbolista: antologia. p.209.




*********


Deixo um beijo especial a quem chegou aqui através do 1º Flash Blog, idéia sensacional do nosso querido Matusca, que aconteceu lá no Tempo Imaginário. Quem não participou perdeu um grande evento, show de alegria, cantoria, boas energias e recepção impecável da minha querida amiga Angela Scott, que fez até bolinhos de chuva para recepcionar os convidados. Parabéns Angela e Matu, a festa foi perfeita!

Se você perdeu o primeiro, vem aí o segundo, no próximo Domingo.
Participe! Prepare o repertório pois a moça é alegre e gosta de cantar.
Vamos lá, na Funny Valentine!

"Essa placa tem muito valor... virtual!"
Tem sim, Flavinha, e não é só virtual.
Ficou linda!




24.8.03
 
Olhai os Livros na Estante

...

Olhai os livros nos sebos, contai os livros nos dedos, amai os livros inteiros, amontoai os livros no quarto, na sala, no vosso banheiro!

Olhai os livros e vede: não falam nem ouvem, e no entanto fazem o leitor mais eloqüente e mais atento ao mundo que o cerca. (E ao mundo que abriga em seu peito.)

Olhai os livros e vede: não cantam, não voam, e no entanto fazem o leitor espantar os males, sobrevoar terras e mares.

Olhai os livros e escolhei os que intensificam a vossa personalidade.

Olhai os livros e comprai os que podem trazer poesia para a prosa do vosso dia-a-dia.

...

Olhai os livros na estante, esse artigo de primeiríssima necessidade!

Por: Gabriel Perissé



Dorso masculino: escultura de Hildebrando Lima

25/08/03

A foto mostra a divisão da estante que tem maior altura, por isto é usada, principalmente, para os livros de arte. Miró fica à esquerda de Renoir, os dois trocam tintas e pincéis. Baryshnikov dança o Quebra-Nozes enquanto Yehudi Menuhin fala sobre A Música do Homem. Alberto Santos Dumont, nosso injustiçado inventor, troca artigos e idéias na Revista Athena, dirigida por Fernando Pessoa. Drummond recita versos, Jobim mostra seus tons, enquanto Roberto Pontual nos presenteia com belíssima coletânea de artistas, em Arte Brasil Hoje - 50 anos depois.

O cão, cerâmica popular do Vale do Jequitinhonha, guarda talvez o lado mais valioso: Poesia e Prosa de Manuel Bandeira e Obra Poética de Cecília Meireles, ambos em papel bíblia. Acima estão alguns LP's de Jazz e Clássicos. Bill Evans toca suave para Lady Day ouvir e cantar, enquanto Debussy nos faz flutuar com a sutileza de jogos harmônicos. Em cima, Pablo Picasso se encanta com as Poesias Completas da bela Gilka Machado. E tudo termina em arrebatadoras imagens machadianas, do Rio de Assis.




22.8.03
 
Vem aí o Primeiro Flash Blog!

Participe!!!

Vamos lá no an.temp.im!
Terça-feira, dia 26.

Veja como ficou legal o banner da Flavinha, do Blog das Cores.





Só podia ser coisa de múmia caduca!
Com a palavra, Matusca:

"Tão sentindo um cheiro esquisito? É que aconteceu uma eleição agorinha no meu cérebro.
Foi ali, pau-a-pau, e no final os neurônios pretos ganharam dos amarelos por 2 a 1.
Então, está democraticamente decidido.

As regras do 1º Flash Blog são:

- Escolhemos o Flash Blog da semana;
- Avisamos ao coitado do dono;
- Ele publica um flash post - seja lá o que isso for - e deixa lá por 24 horas;
- No dia marcado TODO MUNDO visita o infeliz e deixa comentários NAQUELE post (bastante);
- O flash-bloguento escolhido tem que responder a TODOS - um por um;
- Ele escolhe e avisa ao condenado da próxima semana e assim vai, tudo pro brejo;

Como diria o Brancaleone: EM MIM NÃO!
Já sabem: Qualquer omissão omitida nesta impostura será resolvida cá do meu modo.

Persistindo na via democrática, foi escolhido o dia e o endereço do 1º Flash Blog:
Dia 26, terça-feira, no Tempo Imaginário.

Sinto muito Angela, dançou!"




21.8.03
 
O Pequeno Jornaleiro

(continuação do Pouca Roupa)



Em fevereiro de 2002, num belo dia de verão, abro o Dailly Míllor e levo um baita susto.

Millôr escreveu:

"Leio no Boechat que desapareceu a estátua do Pequeno Jornaleiro. Ficava ali, num triângulo junto da Miguel Couto e Ouvidor, a boca aberta gritando sua eterna manchete. Ali, à sombra do glorioso Bar Simpatia, de tantos anos e Rios, de tantas happy hours, quando ninguém sabia que papo furado na hora da maré mansa e do chope gelado (no caso refrescos maravilhosos) ia se chamar assim. De vez em quando Machado de Assis ainda passava de cartola tentando conquistar os boêmios da tarde com seu slogan para a fundação da Academia Brasileira de Letras: "Black is Talentfull".

Pra quem não sabe, o Pequeno Jornaleiro era o vendedor de jornais que andava no meio do tráfego (uma dúzia de bondes, três carroças e 28 automóveis), anunciando a última edição dos jornais. O Diário da Noite, do Chatô, um jornal impresso em papel verde, onde iniciei minha gloriosa (desde então declinante) carreira jornalística, às vezes tinha 7 edições, cada uma delas publicando apenas o último roubo - em geral de galinhas - o último crime passional, do mata-mosquitos esfaqueando a amásia (havia mata-mosquitos, facas e "amásias") ou simplesmente a chegada ao Rio de um político vindo de São Paulo, depois de três dias de viagem. Como vêem, já tínhamos a notícia em tempo real. Quando mais muda mais fica a mesma coisa.

Sempre me deu grande satisfação a pequena escultura agora desaparecida - pouco mais de um metro de altura, feita por Fritz, (Anício Mota), um excelente caricaturista definitivamente esquecido. Também, quem mandou cortejar o olvido eterno, desenhando com cabeça de fósforo? É, onde estivesse, Fritz riscava um fósforo e, com a fuligem da cabeça do fósforo, realizava seu "trabalho". Meia dúzia de fósforos e tínhamos uma pequena obra-prima. E isso é tudo que sei dele, Fritz. E talvez a última coisa que você saberá dele, Fritz".





Naquela época eu fazia uma especialização no centro do Rio, aos sábados. Sabia que a estátua havia sido transferida para a Sete de Setembro, entre a Rio Branco e a Gonçalves Dias, mas não via a hora de chegar a próxima aula para verificar o fato. Lembro-me ainda que, para aumentar a minha ansiedade, não haveria aula na semana seguinte. Finalmente chegou o dia e eu pude, aliviada, constatar que aquele pequeno menino estava lá, tão belo quanto o seu bronze. Por alguns minutos parei e o contemplei. Pude sentir o que Millôr descreveu, pude ouvir os gritos daquele moleque corisco e serelepe. Fui invadida por uma energia mágica, por uma saudade de um passado que nunca vivi, mas que muito me foi contado. Pensei na tia pintora, que eu não conheci, amiga de Fritz. Mulher que quebrou muitos tabus e preconceitos, quando saiu do interior de Minas Gerais, em 1930, para estudar Belas Artes, no Rio de Janeiro. Por alguns instantes pude viver o glamour do Rio antigo, que conheci em álbuns empoeirados pelo tempo, repletos de recortes de jornais, revistas e fotografias. Estava ali imóvel e atônita, quando fui interrompida por um pequeno pedinte. Talvez tivesse a idade do Pequeno Jornaleiro, porém sem o mesmo brilho e vivacidade. Os olhos eram tristes e a voz quase não se ouvia. Dei-lhe um dinheiro, entrei num bar e pedi um fósforo. Peguei um caderno, com a fuligem do fósforo desenhei um coração e escrevi: passado.

******

Enquanto escrevia, pensava em Iosif, que diz coisas pungentes sobre o Rio.
Dedico o post também ao poeta, a quem devo e-mail e não consigo escrever.
Mestre, com mil perdões!

******

Pouca Roupa





Herança de família, o desenho de Fritz é provavelmente do início da década de 30. Anísio da Mota Fritz (1895 - 1969) é autor da estátua do Pequeno Jornaleiro, transferida há alguns anos do cruzamento da Av. Rio Branco com Rua do Ouvidor para a Sete de Setembro, no centro do Rio.

Tenho duas atividades culturais agora à noite, no mesmo horário, o que me obriga a fazer uma difícil escolha. Amanhã eu conto o resto da história do Fritz, mas antes gostaria de dedicar o post a uma turma de barbudos que conheci num buteco, no fim de semana. Peço desculpas pela falta do link, que depois colocarei.

A vocês: Edmundo, João Antônio, Nei Lima, Key e Panis.





19.8.03
 
As Meninas do Futebol


Botafogo Futebol Clube

Fundado em 12 de agosto de 1904




Disputou todos os campeonatos cariocas de futebol.
Em 1942 fundiu-se com o Clube de Regatas Botafogo,
nascendo o atual Botafogo de Futebol e Regatas;
conhecido como o Glorioso pela conquista do Campeonato de 1910, entre outros títulos.


Não adianta, paixão sem limite...



Não é, Tici?

A Gilda descobre cada coisa...



17.8.03
 
Resumo da Ópera


Amanhã é segunda e começa tudo outra vez: acordar cedo, tomar remedinho pro estômago, fazer tudo correndo, ser gentil e delicada no trabalho, engolir alguns sapos, começar nova dieta que irá terminar na quarta, chegar em casa cansada e dizer "eu não agüento mais!". Mas reclamar faz parte da vida, senão tudo ficaria muito chato e os dias de lazer não teriam o mesmo valor. Tive um fim de semana maravilhoso, rico em palavras carinhosas e natureza exuberante. Não poderia deixar de passar aqui e agradecer a todos que contribuíram para que meu aniversário fosse uma festa verdadeira.

Obrigada

Abaquar, Angela (Outra), Angela Scott, Bia Badaud, Cacá, Carminha, Celia, Cláudia, Cris, Edson K (B2), Fal, Giniki, Helô (Maffalda), Inagaki, Lana, Marelena, Matusca, Meg, Ronald, Sonja, Tereza, Tici e Tomzé.

update

Áurea Gouvêa, c.a.t., Fernando Cals, Funny, Herói, Lilia, Neu, Ronize Aline e Tati

update II

Caipira do Vidrinho, Gilda, Li Stoducto, Lu, Marco, Nelson da Praia, Palpiteira e Suely


Como lembrou muito bem a minha querida Celia, "ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu não seria nada".

Gente! O HERÓI também é do dia 16 15!!! Parabéns!

"xiii! Helo, o heroi é dia 15! Na sexta! Xiii! Muda, muda! =D"

Esse menino me dá um trabalho... Hahahahaha!



*:*:*:*:*


Passei o Domingo em Nogueira, com muito sol, friozinho gostoso e paisagem de tirar o fôlego!








Desse jeito vou acabar virando emergente...





E não deixem de ler o Resumo da Ópera, lá na Tati.



19:19 Comentários:

15.8.03
 
A Idade de Ser Feliz


Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.

Mario Quintana

*:*:*:*:*:*

Parabéns aos aniversariantes do dia 16 de agosto!


Millôr, Cat, Madonna e... Oscarito, que foi o mestre da chanchada.








14.8.03
 

Roubei daqui!





update

Banana menina, tem vitamina
Banana engorda e faz crescer...


É verdade, mas Banana não dá DVD.
Então bote a caixola pra funcionar e participe do concurso que a Meg está promovendo.
Corra que ainda dá tempo!



Valeu, Suely






13.8.03
 
Happy Birthday






Para mim, Psicose era uma grande comédia.





12.8.03
 



Só pra fazer inveja. Tô chegando de uma festa, em plena segunda-feira. O termômetro marcava 10º, pois o aniversário foi num bairro alto da cidade, perto do aeroporto. Engraçado, o aeroporto daqui é tão alto que tenho a impressão que o avião desce, quando decola. Preciso dormir e não sei como, depois da farra gastronômica e de umas boas caipirinhas. Dizem que estava frio. Será? Amanhã conto o resto.

Boa noite, bom dia, sei lá...

*****

Continuando...

Ontem foi aniversário de 40 anos de um amigo, dono do Maria Maria, restaurante onde se come uma das melhores comidas mineiras aqui. Festa animada, muita gente amiga, excelente música ao vivo, bebida e comida da melhor qualidade. O repertório? Chico Buarque entre um feijão amigo e um torresminho, João Bosco com mandioca frita e linguiça. Enquanto ouvia as músicas do Tom, canjiquinha com costelinha. Ai, meu Deus! Tudo quentinho, saboroso, acompanhado por excelente caipirinha, já que ninguém é de ferro e o frio estava bravo.

Melhor de tudo: em plena segunda-feira!!! Saí de lá feliz feito pinto no lixo.




9.8.03
 
Sentimentos de um pai


"...Lembrei-me dos meus sentimentos antigos de pai, diante dos meus filhos adormecidos. Veio-me à mente a imagem de um "ninho". Bachelard, o pensador mais sensível que conheço, amava os ninhos e escreveu sobre eles. Imaginou que, "para o pássaro, o ninho é indiscutivelmente uma cálida e doce morada. É uma casa de vida: continua a envolver o pássaro que sai do ovo. Para este, o ninho é uma penugem externa antes que a pele nua encontre sua penugem corporal." Era isso que eu queria ser. Eu queria ser ninho para os meus filhos pequenos. Queria que meu corpo fosse um ninho-penugem que os protegesse, um ninho que balança mansamente no galho de uma árvore ao ritmo de uma canção de ninar...



É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de uma criança. É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de um pai. O efêmero e o eterno abraçados num único momento! "Conter o infinito na palma da sua mão e a eternidade em uma hora": o pai que tem o seu filho adormecido nos seus braços é um poeta! Essas palavras do poeta William Blake bem que poderiam ser suas. Um homem que guarda memórias de ninho na sua alma tem de ser um homem bom. Uma criança que guarda memórias de um ninho em sua alma tem de ser calma!



Esse é o destino dos pais: a solidão. Não é solidão de abandono. E nem a solidão de ficar sozinho. É a solidão de ninho que não é mais ninho. E está certo. Os ninhos deixam de ser ninhos porque outros ninhos vão ser construídos. Os filhos partem para construir seus próprios ninhos e é a esses ninhos que eles deverão retornar.

Assim é na natureza. Assim é com os bichos. Deveria ser conosco também. Mas não é. Quem é pai tem o coração fora de lugar, coração que caminha, para sempre, por caminhos fora do seu próprio corpo. Caminha, clandestino, no corpo do filho. Dito pela Adélia: "Pior inferno é ver um filho sofrer sem poder ficar no lugar dele". Dito pelo Vinícius, escrevendo ao filho: "Eu, muitas noites, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua..."

Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora.

Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.

Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira...

Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo...


Rubem Alves, 68, professor emérito da UNICAMP, medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura, psicanalista, escritor, articulista da Folha de S. Paulo e do Correio Popular de Campinas, autor de mais de 30 livros para adultos e mais de 30 para crianças.



Ao meu pai, muitas vezes ninho e abrigo, até hoje.
(Aqueles olhos verdes, que inspiram tanta calma, parecem dois amenos, pedaços de luar...)


Ao amigo querido, pai e avô amoroso,
que me deu a dica do belíssimo site de Rubem Alves.


Aos pais e aos filhos,
que carinhosamente compartilham dos meus sentimentos.





7.8.03
 
Tô morta!




08.08.03

Tô morta II


Palavras de Lula, durante o velório do jornalista Roberto Marinho:

Como dizia o nosso amigo Carlito Maia, tem gente que vem ao mundo a
passeio e gente que vem ao mundo a serviço. Roberto Marinho foi um
homem que veio ao mundo a serviço.


Desconfio que eu faço parte da turma que veio a serviço.
E por falar nisso amanhã vou trabalhar, o que significa
que hoje vou deixar de tomar uma Bohemia Bock.







5.8.03
 
Navegando, navegando...


Ritmo lento devido ao exaustivo dia. Mexo nos CD's e descubro que eu não sabia que tinha o Crooner, do Milton Nascimento. Ah, quantos shows de Milton eu assisti, a maioria aqui, nesta maravilhosa casa que hoje está completamente restaurada e bela.
Aí começa a tocar Não sei Dançar. Que música linda! Eu tenho mania de associar músicas a imagens, e vice-versa. Foi então que me lembrei de uma imagem de Dali que vi, dias atrás, na minha querida amiga Tati. Não ia atualizar o blog hoje, mas não resisti. Querem saber mais? A Tati foi um dos meus primeiros contatos blogueiros, quando eu ainda era tímida em comentar. Eu mandava e-mail e ela, pacientemente, pedia a minha autorização pra colocar o texto no post ou nos comentários. A Tati é assim, uma das pessoas mais legais nesse mundo blog e, ao contrário da música, ela sabe dançar muito bem. Domingo fiquei sabendo que ela está no elenco de apoio da ópera Tristão e Isolda, que estréia no próximo dia 16, no Theatro Municipal.



Não sei Dançar

(Alvin L.)

Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa pra lembrar
Às vezes eu quero demais
E eu nunca sei se eu mereço
Os quartos escuros pulsam
E pedem por nós
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa pra lembrar
Se você quiser eu posso tentar mas
Eu não sei dançar
Tão devagar pra te acompanhar


*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*:*

update

Depois de ler o comentário do Antônio, achei que o Cine Theatro Central merecia mais que o link. Existem vários artistas que têm uma admiração enorme pelo Central, entre eles o próprio Milton, que sempre está por aqui. Por ele já passaram Vinícius, Toquinho, Clara Nunes, Tom Jobim, Caetano, Toninho Horta, Elis, Adriana Calcanhoto e até Stanley Jordan. Sem contar as inúmeras peças, concertos e balés, nacionais ou internacionais. A Li Stoducto também tem história do Central pra contar, quando sua música Fênix foi vencedora em um de seus famosos festivais. Este é o Central, "um teatro que está na emoção de todos nós" (Milton).



Foto: Roberto Dornelas




3.8.03
 
Este post é dedicado à turma do Blog'n'Roll


Enio Martins
Jean Boechat
Rodrigo Rodrigues

e à Sonja, beatlemaníaca e grande amiga que mora em Londres.

Enio
Espero que você goste do presente antecipado de 1º aniversário. Felicidades!





JB, 5 de janeiro de 1971
Este Som Terminou

John Lennon lança um LP em que assume, musicalmente, a dissolução dos Beatles, Paul McCartney resolve enfrentar o problema na justiça. A dissolução dos Beatles - caso alguma dúvida ainda pairasse - começa o seu desfile final. Uma hegemonia que durou oito anos, e que para alguns críticos representa, melhor do que qualquer outro conjunto, o som da última década.


JB, 1º de junho de 1987
O Sargento Pimenta faz 20 anos

Hoje faz 20 anos que o sargento Pimenta ensinou a banda a tocar. Assim começa a música Sgt. Pepper's Lonely Heart's Club Band, que deu nome ao mais famoso disco do maior fenômeno do show-business de todos os tempos - os Beatles. Quatro rapazes, nem tão rebeldes como pareciam, e que ajudaram a consolidar o rock como linguagem internacional da juventude. Fizeram mais: consolidaram a própria juventude, que invadiu estradas, televisões em busca de um sonho, promovendo uma revolução moral e estética que ainda está longe de perder o impulso, apesar dos tempos bicudos da Aids. (Tárik de Souza)


JB, 18 de abril de 1990
A espera chega ao fim

Durante muitos anos, uma geração brasileira de beatlemaníacos sonhou com a possibilidade de assistir a uma apresentação de seus ídolos no Brasil. Isso nunca chegou a acontecer e não é mais possível que ocorra. Não só porque os Beatles se desfizeram como porque depois John Lennon foi assassinado. Mas parte desse sonho pode ser realizado amanhã e no sábado, quando Paul Mc Cartney estará se apresentando no estádio do Maracanã.


O livro

Let's Have a Dream
Omaggio a John Lennon
La Grafica
La Musica
La Poesia
Palazzo delle Esposizioni
Roma 27 ottobre 12 novembre 1990


"Shoot", sussurra John Lennon ao microfone, seguido simultaneamente pela guitarra de George Harrison e o baixo de Paul McCartney fazendo a ameaçadora onda de groove que é finalizada pelo chimbau milimétrico e o galope abafado de Ringo Starr. Escuto Come Together, em Abbey Road. Começo comentando o título do primeiro jornal citado. Este som não terminará nunca. A banda se separou, morreu John, morreu George, mas a música é eterna. Alguém duvida? Falar de Beatles mexe com sentimento, com lembranças da infância e da adolescência, me faz lembrar de pessoas que já se foram ou que nunca mais eu vi. A foto de Paul, colocada em cima do jornal, foi recortada de uma foto maior dos 4 garotos de Liverpool. Ganhei de uma garota da minha rua, que escrevia cartas e mais cartas para a Inglaterra pedindo fotos dos Beatles. Naquela época, ela adotou o sobrenome Harrison, tamanho era seu fanatismo por George. Provavelmente já se encontraram lá em cima.

O livro de John é genial. Conhecia alguns de seus desenhos, como o da capa, mas não sabia do livro. Peguei emprestado com meu irmão, na minha última viagem a São Paulo. Difícil escolher um para colocar aqui. Decido pela simplicidade do traço de Two is One.



Pensando bem... tem blogueiro tatuado com desenho de John.


Em 90, a grande emoção: assistir Paul in Rio, no Maracanã. Difícil descrever o que senti ao ouvir, na voz de Paul, Get Back, Penny Lane, Let it Be e muitas outras. O cartão-ingresso, que fica muito bem guardado em uma das minhas gavetas, foi chorado, suado, conseguido depois de muita insistência. Agora vejo a Cora dizer que chegou a hora de jogar fora a camiseta do show do Paul McCartney. Ô Cora, não jogue fora a camisa. Eu faço 50, 60, 70 anos, mas as recordações que tenho dos garotos jamais jogarei fora. Prefiro jogar o microondas.

Outras relíquias não entraram na foto, como as revistas Os Reis do Iê Iê Iê, um espelhinho, recortes e pôsteres. Carry that weight acaba de tocar. A próxima é The End.
Hora de terminar.

...
And in the end,
The love you take
Is equal to
The love you make.





2.8.03
 
O que será (À flor da pele)






O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo.

Chico Buarque/1976
Para o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto


O questionamento presente desde o título é uma constante em Chico Buarque.
Nesse poema, especialmente, a expressão "O que será" refere-se a algo que, mesmo não sendo definido, possui o poder de ser profundamente sentido. De intenso erotismo, os versos revelam uma crescente tentativa de definir o indefinível.

A força da canção dispensa interpretações, tal o poder de persuasão das palavras e do ritmo dos versos, que conseguem transmitir ao receptor a mesma inquietação que está latente no texto.


(Maria Helena Sansão Fontes - Sem Fantasia)