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30.7.03
Macacos me mordam!
Convocação geral das odaliscas... e dos cuecas também.
Ele voltou!!!
Les almeés - Pierre Louis Bouchard
Gilda, suas dicas são sempre maravilhosas.
posted by Helô at 18:22
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28.7.03
Sexta-feira, 25/07/03 17:00
Atenção tripulação, preparar para o pouso...
Minutos depois, a aeronave pousava em Congonhas. Batimentos cardíacos acelerados, estava em solo paulista. Os versos de Tom Zé foram os primeiros que me vieram à cabeça:
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo, meu amor
São, São Paulo, quanta dor
São Paulo, carinhosamente chamada de Sampa, terra onde mora a maior parte da minha família. No taxi, a caminho do Paraíso, eu pensava como e quanto aprendi a amar esta cidade, influenciada pelos velhos e novos amigos. E, já instalada no Paraíso, lendo o caderno Fim de Semana, da Gazeta Mercantil, eu me lembrei de um novo amigo, cinéfilo de categoria e pessoa de fino trato. Vejo na última página o evento que homenageia Buñuel, no aniversário de 20 anos de sua morte. No Centro Cultural São Paulo, até o dia 31 de julho, serão exibidos 16 filmes do cineasta espanhol, crítico inconformado com a ordem burguesa e criador de cenas surrealistas inesquecíveis. Eu ali pertinho, mas desta vez o programa era exclusivamente familiar.
Buñuel deixado de lado, chegou a hora de saciar o apetite. Ah, como é bom entregar-se aos prazeres da gula no Paraíso! Como resistir às delícias árabes nos empórios da Domingos de Morais? Primeiro, uma passada no Jaber, que funciona desde o início da década de cinqüenta. Esfihas de massa fina e levíssima, com recheios ou coberturas irresistíveis, tradicionais como as de carne ou inovadoras como as de escarola e nozes. Dizem que a gula é um pecado, mas o que temer se eu estava no Paraíso? Então, fui saborear as sobremesas da também cinqüentona Confeitaria Catedral. Doces árabes da melhor qualidade, manjar dos deuses, alimento para a alma e o espírito. Pistache, damascos, tâmaras, amêndoas e nozes, todos trazendo aquele brilho especial proporcionado pela caldinha que os envolve. Saí inebriada e feliz, que sexta!
Sábado, 26/07/03
Dia de batizado. Família reunida em torno de dois lindos gêmeos. Puro sangue os meninos: brasileirinhos autênticos, nascidos de uma união que vai do português ao libanês, do italiano ao japonês, talvez com algumas pitadas longínquas de negro, índio, ou dinamarquês, quem sabe? Um mais claro, de olhos azuis, outro moreno, com ares orientais. O dia foi todo dedicado a eles, com direito a almoço comemorativo, troca de fraldas, abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim.
Domingo, 27/07/03
Chuva e frio contribuem para a tristeza da despedida. Como olhar aqueles dois anjinhos sem derramar algumas lágrimas? Como deixar para trás os olhinhos vivos e inocentes, o choro de fome - gulosos que são - a alegria do banho, o cheirinho gostoso característico dos bebês, como? Mas a vida continua. Voltei com o coração apertado, mas com a esperança e a certeza de que agora serão mais freqüentes minhas viagens a São Paulo.
Deixo um abraço especial de aniversário ao meu amigo Alexandre Inagaki, que ontem completou 30 anos. Parabéns Ina, que você tenha curtido bastante o seu dia, com a sua querida Suzi!
posted by Helô at 19:34
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27.7.03
Sexta-feira, 25/07/03 16:00
Lindo dia na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro!
Amanhã eu conto mais.
posted by Helô at 20:55
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26.7.03
Estou no Paraíso...
Volto já.
posted by Helô at 22:19
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23.7.03
Mostra Rio Gravura
Rio de Janeiro - setembro e outubro de 1999.
A Mostra Rio Gravura, idealizada pela gravadora Rizza Conde, com curadoria do artista Rubem Grilo, foi a maior e mais completa exposição de gravuras já realizada no país. Cinco séculos de arte, em 70 exposições distribuídas por museus e galerias, uniram nesse grande evento ocidente e oriente, antigos e modernos, eruditos e populares.
Naquele ano eu cursava uma especialização no Rio, aos sábados. Aproveitei o que pude, trocando o almoço por sanduíches recheados de arte e deslumbramento.
Eventualmente deixarei aqui alguns registros e impressões de uma época muito rica e proveitosa. Começo com Chagall (1887-1985), pintor e gravador russo, naturalizado francês. A mostra do artista, apresentada na Casa França Brasil, reuniu 24 xilogravuras a cores, expressões poéticas gráficas de sua própria poesia. O poema foi o único que consegui, rapidamente, copiar numa folha de caderno. A ilustração é Serenade.
Com o azul, o vermelho, o amarelo
Pintei as paredes claras
Pintei os músicos, os bailarinos em cena
Com azul, vermelho, amarelo
Para você, pintei o tabernáculo.
Brinque, cante, pule
Você fazia comigo o papel do velho rei
Você me engolia
Ria-se às lágrimas
Com você, silenciosos
Saltamos até a lua
Na noite branca
Ouvir-se-á novamente sua voz
Faço uma dedicatória especial a um amigo, que todas as manhãs está presente na minha caixa postal. Silva Costa, além de excelente artista, faz um trabalho excepcional reunindo diariamente as colunas dos principais jornais do Rio. Depois de transformá-las em um único arquivo, faz o envio pelo e-mail, através do Yahoo Groups.
Caso você queira se cadastrar é só mandar mensagem em branco para cá.
Ah, faltou dizer uma coisa, ele agora é o mais novo blogueiro da praça.
posted by Helô at 22:01
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22.7.03
20.7.03
Manhã de Sábado
Tenho um encontro marcado.
Pela décima vez consulto o espelho: olhos, dentes, esquerda, direita, frente, retaguarda. Com um pouco de gel nos dedos amasso os cabelos, numa vã tentativa de que não fiquem tão lisos. Uso jeans e salto plataforma - meu disfarce para um metro e sessenta de altura. Levo comigo, além da inseparável bolsa, uma pequena sacola. Tenho que me apressar, pois o encontro será breve, preciso viajar ainda antes da uma da tarde.
Expectativa, ansiedade.
E lá vou eu.
A mais alvinegra cidade de Minas Gerais está em festa. Bandeiras tremulando, carros buzinando, 30 mil ingressos quase esgotados, torcida de braços abertos para receber o Glorioso. Ai, meu Deus, eu vou perder o jogo do meu Botafogo!
Que dia lindo! Sol radiante, céu azul, temperatura amena... Bem perto de onde eu estava uma banda de jazz se apresentava. Estamos na época do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Antiga, um dos melhores eventos que a cidade oferece a quem gosta de música. São atrações nacionais e internacionais, além de cursos e palestras. Concertos em teatros, igrejas, museus, cinemas e até na rua, todos grátis.
Estou próxima do local marcado para o encontro. Ligo do celular e ele atende. Digo que já estou em frente ao prédio e ele me diz que já vai descer. Estou de camisa e calça jeans, digo eu. E eu de calça jeans e camisa preta, disse ele.
Expectativa, ansiedade.
Ando para lá e para cá, sem tirar os olhos da portaria do prédio. De repente ele surge, com um lindo sorriso. Primeiro um longo e carinhoso abraço, depois nos apresentamos. Coisa linda é o Felipe. Sorriso fraterno, olhar brilhante e sonhador. Estávamos ali, um diante do outro, pela primeira vez, como se já nos conhecêssemos antes. Falamos de música, blogs, estudo, trabalho, família y otras cositas mas. O papo rolava legal, mas eu tinha de ir embora. Pena, disse eu, mas tenho certeza que a gente vai se encontrar novamente. Depois de lhe entregar a sacola nos despedimos, num forte e afetuoso abraço.
Meu Deus!
Esqueci de tirar os óculos escuros!
Ele não viu meus olhos!
Ah... Mas também não percebeu que eu deixara, emocionada, escapar algumas lágrimas de felicidade, afinal eu acabara de abraçar um pedaço dela.
posted by Helô at 20:57
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19.7.03
Salve Jorge!
Eu bem que avisei a ELA..., no dia 13 de Julho.
Banana, é? Cheguei primeiro que O Globo!
Ê, Globo, o nome dele é Jorge Fonseca e não Jorge Furtado, como saiu na capa.
posted by Helô at 12:32
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17.7.03
Seu Coisa
Cora! Espere aí que já vou!
posted by Helô at 22:26
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15.7.03
De amor e avós
 Na casa da minha avó havia um lindo banco no quintal. Um quintal florido, que ela cuidava com muito esmero. Uma flor era sempre reservada para enfeitar o retrato do vovô. Enviuvou-se muito cedo, a minha avó, mas nunca deixou de cuidar do seu amado. Carregava sempre no peito o broche antigo com seu retrato.
De vez em quando se emocionava e chorava um pouquinho, quando contava casos dos dois. Mas minha avó nunca foi triste e nunca quis também que a gente ficasse triste. Quando eu deitava a cabeça em seu colo, ainda muito pequena, as histórias eram sempre alegres e divertidas. Aprendi com ela o valor do amor e da amizade, do carinho e da solidariedade.
Hoje eu fiquei com saudades da minha avó, mas não pensem que estou triste. É uma saudade gostosa, uma lembrança feliz de quem teve a graça de curtir muito a avó.
E foi justamente ao acabar de ler um trecho de um livro, que eu senti tanta saudade da minha avó.
Você conhece a autora...
UIA!
posted by Helô at 21:53
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14.7.03
Compay Segundo
update
Aplausos!!!

Obrigada, amigos!
Vamos ouvir boa música para o astral levantar.
Cris
Fiquei triste também, mas me consola saber que ele viveu a música que tinha na alma.
Cláudia
... a Lua aqui em Niterói se iluminou toda para receber o Compay. Uma lua cheia deslumbrante! Que ela ilumine o caminho!
Edson K
Deixou vida em forma de música... graças a Deus.
Your Soul
O Benny Carter também se foi, Helô. Um sopro de vida inteligente a menos no mundo.
Nelson da Praia
...que pena!
Sonja
*****
Estou muito triste, mas o céu está em festa.
Deixo uma lágrima, um beijo e muitos agradecimentos.
14/07/2003 - 09h03m
Compay Segundo morre aos 95 anos
Globonews.com
MADRI - O músico cubano Compay Segundo morreu no domingo, em Havana, Cuba, aos 95 anos. Ele morreu devido a complicações decorrentes de uma insuficiência renal, informou a gravadora do músico, nesta segunda-feira, na Espanha. Compay Segundo, nascido Máximo Francisco Repilado Muñoz, ficou mundialmente conhecido quando participou do projeto "Buena Vista Social Club", que incluía filme e disco na década de 1990, ao lado outras figuras da música cubana, como Elíades Ochoa, Ibrahim Ferrer e Rubén González. O CD do 'Buena Vista" ganhou o prêmio Grammy, em 1997.
Mas sua trajetória é longa. Seu grupo, Compay Segundo y sus Muchachos, foi criado em 1956. Com a revolução cubana, em 1958, o músico deixou a música de lado para ganhar a vida. Mas voltou a se dedicar à carreira artística nos anos 80. Com "Buena Vista", veio o retorno. O produtor Ry Cooder foi até Havana e resolveu gravar um disco com a velha-guarda cubana. Logo depois veio o documentário, dirigido por Win Wenders. O CD vendeu quatro milhões de cópias no mundo inteiro: os músicos se apresentaram no Carnigie Hall, em Nova York e fizeram diversas turnês mundiais. O Grammy foi a consagração final.
Em 1996, Compay lançou o disco "Lo mejor de la vida" - para comemorar seu aniversário de 90 anos e, em 1999, o CD "Calle salud". Além de cantar, ele tocava clarinete e tres - um instrumento de cordas cubano.
Compay Segundo morreu em sua casa em Miramar, bairro de Havana.
posted by Helô at 09:48
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13.7.03
Jorge Luiz Fonseca
... "Ando refletindo muito, ultimamente, sobre os caminhos da vida. A minha e a dos outros. Não estou querendo achar grandes respostas. Só fico me perguntando por que é que a gente é assim ou "assado". Por que é que a gente faz uma coisa quando quer fazer outra. E, principalmente, por que tudo está sempre por fazer.
A procura é um trabalho de todos os dias.
Gostaria de fazer desta exposição uma elegia à PROCURA.
Procura-se o lugar ideal
Procura-se o par perfeito
Procura-se o sonho
Procura-se a felicidade
Procura-se o eu
Procura-se o meu
Detalhe
Ad Majora Natus (Nascemos Para Grandes Causas)
Quero, com esta exposição provocar nas pessoas uma reflexão, por mais simples que seja, sobre esses temas. Também quero empreender uma campanha para encontrar o irmão que um dia se foi, à procura do seu destino.
Talvez um dia a gente encontre o Marcinho.
Quem sabe...?"
in FONSECA, Jorge Luiz. Procura-se Márcio Antonio da Fonseca. Rio de Janeiro : Galeria Anna Maria Niemeyer, 2001
Jorge Luiz Fonseca é artista autodidata. Nascido em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, de origem humilde, produz as primeiras obras no início dos anos 90. É fortemente influenciado pela cultura popular, religiosidade, folclore e pelos processos artesanais e construtivos que adquiriu trabalhando como carpinteiro. Sua obra carrega forte carga simbólica, que em alguns casos se aproxima de Arthur Bispo do Rosário e Leonilson. Seus bordados, colagens, ornamentos e peças, extremamente coloridos, remetem a sua infância no interior de Minas e ao presente, em que o artesanal, sua pesquisa e originalidade se juntam para revelar um artista integrado com as questões artísticas da contemporaneidade.
*****
Jorge é meu amigo, desde 1998. Semanas atrás, peguei o telefone e liguei para matar as saudades. Encontrei-o no Lar de Maria, entidade que dirige, trabalhando voluntariamente, usando o coração e muitas idéias interessantes. Pessoa simples e doce, profundo e humano, Jorge coordena o trabalho em prol de crianças e adolescentes carentes, em estado de risco, desprotegidas ou em situação de abandono social.
Depois de conversarmos sobre os novos projetos do Lar de Maria, passamos a falar sobre o trabalho do artista. Tive a grata surpresa quando soube que seus bordados enfeitariam os biquínis da Blue Man, famosa grife carioca de moda praia. Ontem, quando abri o caderno Ela, de O Globo, lá estava seu trabalho, incluído na reportagem completa sobre o Fashion Rio.
Cenário de Bia Lessa.
Frases bordadas, inspiradas nos quadros também bordados pelo artista plástico Jorge Fonseca.
Algumas frases bordadas na coleção:
As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam
Estou cercada de amor por todos os lados
Eu não lhe prometi um mar de rosas
Desejo Vontade Necessidade
Oração para fechar o corpo
Foi Deus que fez você
Corpo fechado
Algumas considerações:
- As duas fotos utilizadas estão sem os créditos no jornal, mas em outras aparecem os nomes dos fotógrafos Ana Branco e Leonardo Aversa.
- Tentei escanear algumas fotos de catálogos de exposições do Jorge, mas não ficaram boas. Aguardamos o seu site, que em breve estará pronto.
posted by Helô at 15:32
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11.7.03
Eu apoio o Levanta, Rio!
Cariocas, amigos e amantes do Rio, uni-vos!
Retrato de Uma Cidade é uma crônica de Drummond, um verdadeiro poema de amor ao Rio. Fiz a composição com uma daquelas fotos que circularam pela Internet, tiradas do dirigível. Mineira como o poeta, amante do Rio também como ele, dou a minha contribuição. O coração bateu forte, como os tambores de um samba que não vai calar.
I
Tem nome de rio esta cidade onde brincam os rios de esconder
Cidade feita de montanha em casamento indissolúvel com o mar.
Aqui amanhece como em qualquer parte do mundo
Mas vibra o sentimento de que as coisas se amaram durante a noite.
As coisas se amaram.
E despertam mais jovens, com apetite de viver
Os jogos de luz na espuma, o topázio do sol na folhagem,
A irisação da hora na areia desdobrada até o limite do olhar.
Formas adolescentes ou maduras recortam-se em escultura de água borrifada.
Um riso claro, que vem de antes da Grécia (vem do instinto)
Coroa a sarabanda a beira-mar.
Repara, repara neste corpo que é flor no ato de florir
Entre barraca e prancha de surf, luxuosamente flor, gratuitamente flor
Ofertada à vista de quem passa no ato de ver e não colher.
II
Eis que um frenesi ganha este povo, risca o asfalto da avenida, fere o ar.
O Rio toma forma de sambista.
É puro carnaval, loucura mansa a reboar no canto de mil bocas,
De dez mil, de trinta mil, de cem mil bocas, no ritual de entrega a um deus antigo,
Deus veloz, que passa e deixa rastro de música no espaço para o resto do ano.
E não se esgota o impulso da cidade na festa colorida.
Outra festa se estende por todo o corpo ardente dos subúrbios
Até o mármore e o ray-ban de sofisticados, burgueses edifícios:
Uma paixão:
A bola
O drible
O chute
O gol
No estádio-templo
Onde se celebram os nervosos ofícios anuais do Campeonato.
Cristo, uma estátua?
Uma presença, do alto, não dos astros, mas do Corcovado,
Bem mais perto da humana contingência, preside ao viver geral,
Sem muito esforço, pois é lei carioca (ou destino carioca, tanto faz)
Misturar tristeza, amor e som, trabalho, piada, loteria na mesma concha do momento
Que é preciso lamber até a última gota de mel e nervos, plenamente.
A sensualidade esvoaçante em caminhos de sombra e ao dia claro
De colinas e angras, no ar tropical infunde a essência de redondas volúpias repartidas.
Em torno da mulher o sistema de gestos e de vozes vai-se tecendo.
E vai-se definindo a alma do Rio: vê mulher em tudo.
Na curva dos jardins, no talhe esbelto do coqueiro, na torre circular,
No perfil do morro e no fluir da água,
Mulher mulher mulher mulher mulher.
III
Cada cidade tem sua linguagem nas dobras da linguagem universal.
Pula do cofre da gíria uma riqueza, do Rio apenas, de mais nenhum Brasil.
Diamantes-minuto, palavras cintilam por toda parte, num relâmpago, e se apagam.
Morre na rua a ondulação do signo irônico.
Já outros vêm saltando em profusão.
Este Rio...
Este fingir que nada é sério, nada, nada, e no fundo guardar o religioso terror,
Sacro fervor que vai de Ogum e Iemanjá ao Menino Jesus de Praga,
E no altar barroco ou no terreiro consagra a mesma vela acesa,
A mesma rosa branca, a mesma palma à Divindade longe.
Este Rio peralta!
Rio dengoso, erótico, fraterno, aberto ao mundo como uma laranja
De cinqüenta sabores diferentes (alguns amargos, por que não?),
Laranja toda em chama, sumarenta de amor.
Repara, repara nas nuvens:
Vão desatando bandeiras de púrpura e violeta sobre os montes e o mar.
Anoitece no Rio. A noite é luz sonhando.
Escutando Bebel Gilberto, cantando Samba de Verão (Marcos e Paulo Sérgio Valle 1964)
posted by Helô at 19:55
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10.7.03
Deletaram o Letteri!
Veja aqui
Lady Malcolm Campbell as Niobe from the 'Goddesses' series, 1935
Aly, hoje eu ia falar sobre Madame Yevonde.
Fica pra outro dia, mas aproveito a foto, para lhe dizer o quanto estou triste.
Beijo.
posted by Helô at 19:02
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9.7.03
Ela perguntou:
Alguém, talvez alguém bastante bom nessas coisas intrincadas e misteriosas, poderia me explicar para o que é que serve mesmo, uma secretária eletrônica?
E eu respondo: não sei, mas recebi via e-mail algumas sugestões divertidas para você gravar na sua.
1. Depois do bip, você sabe o que fazer.
2. Provavelmente eu estou em casa. Apenas estou tentando evitar alguém que eu não gosto. Deixe uma mensagem. Se eu não chamar de volta é porque é você.
3. Alô, aqui do centro do universo. Deus falando. Se você deixar seu nome, telefone e prece, depois do bip, Eu te telefonarei de volta assim que puder. Eu respondo a todas as preces, mas algumas vezes a resposta é NÃO. Seja abençoado, meu filho, e tenha um bom dia.
4. Alô, aqui é a Morte. Não estou disponível agora, mas se você deixar seu nome e telefone, eu estarei logo logo disponível para você.
5. Felicitações, você está em contato com a Sexto Sentido Detetives Associados. Nós sabemos quem você é e de onde você fala. Então, depois do bip, queira desligar.
6. Alô, eu estou em casa agora, apenas não consigo achar o telefone. Deixe uma mensagem e eu te telefono assim que encontrá-lo.
7. Eu não posso atender agora porque estou com amnésia e me sinto ridículo conversando com alguém que eu não me lembro o nome. Você poderia me ajudar dizendo o meu nome e alguma coisa sobre mim? Obrigado.
8. Isto não é uma secretária eletrônica. É um aparelho de detecção de pensamentos. Após o bip sonoro, queira pensar no seu nome, telefone e razão do telefonema e eu pensarei se retorno a chamada.
9. Você está ficando cansado... Suas pálpebras estão ficando pesadas... Você está perdendo gradualmente seu autocontrole e sua capacidade de resistir à sugestão... Quando você escutar o bip sonoro você sentirá uma vontade irresistível de dizer seu nome, telefone e uma mensagem.
10. Alô, você está falando com uma máquina. Meus donos não estão precisando de uma enciclopédia, de uma nova janela ou de uma banheira. O carpete da sala está limpo e eles já fizeram doações de caridade este ano. Eles também não precisam tirar fotos para um álbum. Se você ainda está comigo, queira deixar seu nome e telefone e eles te telefonarão assim que possível.
11. Alô, aqui é o João. Se você está tentando falar comigo, você errou o número. Mas se você está tentando contatar o Jorge, a Marta ou a Cristina, por favor, deixe seu nome e número após o bip. Não garanto que um deles irá retornar o telefonema, só garanto que eu não vou.
12. Alô, você está falando com a secretária eletrônica de João e Maria. Eles não estão em casa agora. Pelo menos eu penso que eles não estão... (a voz se afasta do fone) João??? Maria??? (a voz retorna) Não, eles não estão. Após o bip queira deixar sua mensagem.
13. (som de música alta ao fundo) Alô??? Espera um minuto enquanto eu desligo o som... (som de passos se afastando do telefone, o som é desligado. (passos retornando ao telefone) Oi, desculpe... Quem está falando... bem... quer dizer... sendo sincero, você está falando com uma máquina! Então queira deixar uma mensagem após o bip sonoro.
14. Estou escrevendo a tese definitiva. Gostaria que você dissesse como você se sente em relação às máquinas? Seja honesto. É para a posteridade.
15. Você tem 5 segundos para encontrar qualquer coisa para dizer após o bip...
16. Mooooo, a vaca. Au au au au au, o cachorro. Miau, miau miau, o gato. Cocoricó, o galo. Oinc, oinc, oinc, o porco. Agora é sua vez...
17. Alô, você chamou você sabe quem. Eu não estou você sabe onde. Deixe uma mensagem depois do você sabe o quê.
18. A mais curta: (depois do bip). Obrigado.
19. Você ligou para o número certo, a pessoa certa, o lugar certo, mas na hora errada, deixe uma mensagem após o bip.
20. Oi, você está na secretária eletrônica do Fulano. Ele não está em casa neste momento, mas o que quer que você queira falar com ele você pode me contar. Nós somos muito íntimos e repartimos todas as nossas experiências.
21. (mulher com voz de fone-sexo): Oi, meu nome é Linda. Você sabe, pode ser bem solitário quando você é uma modelo. Algumas vezes eu tenho que me virar... (você, interrompendo): Ah, chega Linda, me dá essa maldito telefone... (peça a mensagem).
22. (música do missão impossível) Alô... no momento não posso atender... deixe seu recado após o sinal ... esta mensagem se autodestruirá em 5 segundos... boa sorte.
23. Você ligou para o número certo, porém na hora errada. Deixe seu apelo após o bip e vê se na próxima vez olha no relógio antes de ligar para minha casa!
24. 1, 2, 3, 4, 5. Sinto muito, mas acabou o tempo para você deixar a sua mensagem. Obrigado. bip, bip, bip.
25. Alô....(pausa 1s) Alô..... (pausa 3s) alooooooooô... (alto) hei tem alguém aí (pausa 3 s)? Aqui não.. então deixe seu recado após o bip.
26. Alô, eu estou em casa agora, apenas não consigo achar o telefone. Deixe uma mensagem e eu te telefono assim que encontrá-lo.
27. Alô? Pera aí. Mãe, pode deixar que eu já atendi. Mãããããe, desliga essa extensão, eu já atendi! Ih, me lembrei, a minha mãe não está. Aliás, eu também não estou. Mas se você realmente quiser falar comigo, deixe o seu recado...
28. (com voz arretada) Arô. Aqui é o Josefino, o faxineiro, aqui num tem ninguém não, mas se ocê quisé falá com os patrão, espere o baruio e fale que os patrão dispois qui iscutá fala com ocê.
29. Só um minutinho..........(espera uns 15 segundos).......agora você pode deixar um recado, tinha ido ao banheiro, vida de secretária não é mole não.
30. Obrigado por ter doado 500 reais para a LBA. O valor virá descontado em sua próxima conta telefônica. Deus lhe pague.
Alô, alô, secretária da Meg, aqui quem fala é a Helô. Por favor, diga a ela que deixo um beijo e que adorei sua mensagem carinhosa.
posted by Helô at 22:10
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8.7.03
MatuMatu Produções
Botões personalisados
Encomende djá, aqui.
"Os botões do Matusca são genialmente haikaísticos" (Inagaki)
posted by Helô at 23:33
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Na minha caixa postal
Querida,
Francisco Repilado está morrendo. Noventa e seis anos, mais a insuficiência renal, estão matando nosso Compay Segundo. Shows cancelados, seu filho Salvador diz que os médicos estão pessimistas, é questão de mais dia, menos dia.
Há uma pequena reportagem no segundo caderno de O Globo de hoje.
Rezemos.
posted by Helô at 21:40
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7.7.03
O primeiro mês a gente nunca esquece
Seven Vitalities of the Creation - Peticov
Hoje, o Banana&Etc completa o seu primeiro mês. Quero agradecer a todos os amigos que aqui estiveram presentes, nos comentários ou não, elegendo uma representante para prestar minha homenagem. Escolhi a Cris, a moça do Postal, guria tagarela, que por este motivo e muitos outros é tão querida e amada em toda a blogosfera.
Cris, você será sempre minha irmã de coração.
*****
E foi assim que tudo começou...
Segunda-feira, Março 10, 2003
CHOVE CHUVA...
Cesar Valente
...
Mas tirante esses eventos fisiológicos desagradáveis, a convivência com mascotes é sempre gratificante.
...
Eles exercem inúmeros papéis na vida de seus donos: companheiros, consultores, fisioterapeutas, massageadores de ego, performers, amigos, confidentes, bichinhos de pelúcia, conselheiros sentimentais e animaizinhos de estimação, entre outros. E fazem muita falta quando vão embora. Tem gente até que não quer ter um animalzinho só pra não sofrer com a perda inevitável. Bobagem. A ferida que eles abrem ao sair das nossas vidas cicatriza rápido e o que eles deixam aqui dentro dura uma eternidade.
Raramente eu comentava em um blog, mas não resisti ao excelente texto do
Cesar Valente e fui lá dar pitaco. Escrevi mais ou menos assim:
Lembrei-me do Leo, um adorável vira-latas que viveu 15 anos em nossa casa. Toda vez que eu tocava Bach, ao piano, ele começava a uivar. Será que eu tocava tão mal assim?
*****
Terça-feira, Março 11, 2003
Na minha caixa postal:
Tocava mal não Helô! Ele cantava contigo. Murilo sabe cantar. Descobri por acaso e da forma mais cafona. Passava o programa do Raul Gil e ele estava no meu colo. Fui cantarolar um daqueles refrões horrorosos e ele começou a uivar. Sempre faz assim. É só cantarolar baixinho qualquer coisa no ouvido dele, que começa a cantoria. Lembro daquelas pessoas que levam os bichos para programas de televisão e dizem que eles falam "mamãe". É isso...eles tentam falar com a gente porque o amor é imenso.
Bom dia!
Cris
*****
Os dois nomes da poesia chinesa, no século oitavo da nossa era, são os de Li Po e Tu Fu. Dizem que Li Po morreu afogado num rio, tentando abraçar a imagem da lua refletida nas águas. Essa versão de sua morte pode ser puramente lendária, dados o encanto com que ele sempre se ocupou da lua, nos seus versos. Do apreço em que era tida, porém, a sua poesia, fala-nos um poema de seu amigo Tu Fu, ressaltando as qualidades poéticas de Li Po e da sua superioridade em relação aos artistas seus contemporâneos. (Poemas Chineses - Li Po e Tu Fu - Tradução de Cecília Meireles)
Poema de Tu Fu a Li Po
(De Helô para Cris)
Tu escreves como o pássaro canta.
Teu gorjeio? Versos.
Se não cantasses,
As manhãs seriam menos vermelhas
E os crepúsculos menos azuis.
Quando a embriaguez te inspira,
Os Imortais inclinam-se das nuvens
Para te escutarem,
O tempo suspende seu vôo,
O bem-amado esquece a bem-amada.
Tu és o Sol e nós,
Os outros poetas,
Somos apenas estrelas.
Acolhe,
Ó meu amigo,
O balbucio do meu respeito!
Bom dia, Cris!
posted by Helô at 00:17
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6.7.03
Meus Arquivos Implacáveis
Chamo de Implacáveis a pasta onde guardo meus arquivos mais valiosos. São mensagens trocadas, via e-mail, com amigos especiais e mui queridos. Alguns costumam chamar os arquivos de Impecáveis, visto que são cronológica e cuidadosamente guardados. Dá para escrever um livro.
O nome da pasta foi inspirado na coluna Arquivos Implacáveis, do pernambucano João Condé, primeiro publicada na Folha da Manhã e depois na revista O Cruzeiro. Condé foi um dos maiores colecionadores de originais manuscritos da literatura brasileira. Juntou acervo invejável, edições raríssimas, como os manuscritos de Vidas secas, de Graciliano Ramos, Fogo morto, de José Lins do Rego, e Brejo das almas, de Drummond.
Vejam que delícia, um dos Impagáveis:
Sent: Saturday, July 22, 2000 4:17 AM
Subject: Os gatos e Gilles Deleuze roubam-me o segundo tempo do sono
"Dona Helô e amigos
Nunca havia lido Gilles Deleuze e juro que não voltarei a fazê-lo. O homem viveu (morreu há pouco, pois não?) de jogar com as palavras em face do passado e do presente, e sua filosofia se alimenta de paradoxos, como na Lógica do Sentido. Se quem o ler tiver sempre em mente o princípio de não contradição, segundo o qual uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto, sobrará muito pouco do seu, dele (como se diz no Nordeste), edifício conceitual.
Irritado, quis voltar para a cama, mas dois gatos, mais sábios do que eu, já haviam tomado o meu lugar. Imaginei, como Deleuze o faria, que, se dois gatos ocupam a minha cama, isto somente é possível em contraposição ao enunciado de sentido inverso, ou seja, os dois gatos não estão na minha cama.
Assim pensado, assim agi e tentei encontrar uma vaga entre as duas proposições. Os bichanos lixaram-se para Deleuze e muito mais ainda para mim, daí porque, não podendo viver no sentido inverso que a linguagem e os fatos dão a minha vida, optei pela alegria de, na vigília, dar bons dias aos amigos antes que eles o fizessem entre si. Ou isto significa que eles já o fizeram e eu me enganei? Se vocês acham que isto tudo está muito confuso, então eu também acho. Aguardo a manhã que me trará um novo dia, apesar de que ainda estarei neste.
Creio deva tentar deitar-me, é o melhor que faço, mesmo sentado.
Amplexos paradoxais"
posted by Helô at 01:17
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5.7.03
O dia da criação - Vinícius de Moraes
...
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão
repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
...
Tom Jobim e Vinícius de Moraes
por Biagio Di Carlo, Itália
posted by Helô at 22:46
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3.7.03
Frases de um Mestre
A duração de um filme deveria ser diretamente proporcional à resistência da bexiga humana.
Não há nenhum terror no estrondo, só na antecipação disto.
Para mim Psicose era uma grande comédia.
Ingrid Bergman: Eu não me sinto como A personagem!
Hitchcock: Ingrid, então somente finja!
Até mesmo meus fracassos ganham dinheiro e se tornam clássicos um ano depois que eu os faça.
Quando uma atriz perguntou para Hitchcock qual era o seu melhor perfil, direito ou esquerdo, ele lhe respondeu: - Minha querida, você está sentada em seu melhor perfil.
Drama é vida com os pedaços estúpidos omitidos.
posted by Helô at 22:31
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1.7.03
João Guimarães Rosa

O senhor...
Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não
estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre
mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.
Isso que me alegra, montão.
Desta 1ª edição de Grande Sertão: Veredas
foram tirados, fora do comércio, vinte exemplares, em papel Bíblia, assinados pelo autor.
Livraria José Olympio Editora. Rio de Janeiro - 1956
posted by Helô at 22:30
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posted by Helô at 00:00
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