Banana&Etc

Diversão Arte & Etc


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O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
(Lya Luft)


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29.6.03
 
Serviço de utilidade pública



Este serviço é dedicado a você, que chegou aqui através de um site de buscas (Google, MSN, Cadê e etc), procurando a receita da Biomassa de Banana Verde.

Se quiser saber mais é só ir descendo até encontrar a notícia do dia 17/06/03 - Banana: preferência nacional


Processamento de banana verde passo a passo

Lave as bananas verdes não climatizadas com casca, uma a uma, utilizando esponja com água e sabão e enxágue bem. Numa panela de pressão com água fervente (para criar um choque térmico) cozinhe as bananas verdes com casca, cobertas com água, por 20 minutos. Desligue o fogo após os primeiros 8 minutos e deixe que a pressão continue cozinhando as bananas. Espere o vapor escapar naturalmente. Não force o processo abrindo a panela debaixo da água da torneira, por exemplo. Ao término do cozimento, mantenha as bananas na água quente da panela. Vá aos poucos tirando as cascas da polpa, que deve ser passada imediatamente no processador. É importante que a polpa esteja bem quente para não esfarinhar. Processe até obter uma pasta bem espessa. O produto que sai do processador é a biomassa bruta da polpa. Se não for utilizar imediatamente, guarde a polpa em um saco plástico hermeticamente fechado na geladeira, onde se conservará por no máximo 8 dias. Pode ser guardada por 3 a 4 meses no congelador, mas necessitará de um reprocessamento para ser utilizada. (Fonte: Gazeta Mercantil, 13/06/03 - Livro: Yes, Nós Temos Banana - Heloisa de Freitas Valle e Márcia Camargos - Ed. Senac)


Quer mais receitas?

Então CLIQUE AQUI.

Você encontrará delícias de dar água na boca. Mas se a sua dieta for pro brejo, por favor, registre as queixas lá mesmo, com a dona das receitas.




 
Héloïse e Abélard







Tua voz,
que sempre me sujeitou
aos seus encantos,
conservava
até nos murmúrios
sonoridades tão quentes,
acentos tão cheios de ternura
que eu chorava de satisfação
com a cabeça
apoiada ao teu peito.

(De Héloïse para Abélard - século XII)













Música de fundo: O soave fanciulla - Puccini/La Bohème




28.6.03
 


Eis aqui minha caligrafia
Muito pior do que já foi um dia
Resultado de só digitar
Endureceu o indicador
O dedo médio, o polegar

Que venham os grafólogos!
Os analistas, os psicólogos
Tirem-me desse tormento
Revelem o meu temperamento

Observem as torções
O tamanho, as inclinações
Façam suas interpretações
Tirem suas conclusões

Digam até a minha idade
Revelem os traços
As características
Da minha discreta personalidade

Nada tenho a esconder
O que temer, o que perder
Minha letra, minha alma
Minha alma, minha palma.


Escrito por Helô. 28/06/03





 
Eu Hein e Kibe Loco que se cuidem! Estou aprendendo.





A partir de foto original publicada no Globo On Line - 27/06/03




26.6.03
 
Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara


Os cães sempre tiveram papel importante na vida e na obra do escritor José Saramago. Em Ensaio Sobre a Cegueira, o "Cão das Lágrimas" está sempre a enxugar as lágrimas de sofrimento da "Mulher do Médico". Em Lanzarote, na casa onde mora com a mulher Pilar, Saramago cuida com carinho dos cães Pepe, Camões e Greta. Mas é "Achado" o meu preferido.


E foi num bilhetinho pra Fal que eu tive a idéia do post.


Visita a Lanzarote (por Miguel Sanches Neto)

Ao chegar à casa do romancista, encontrei o portão apenas encostado e não tive o menor receio de forçá-lo com uma liberdade que só um leitor poderia ter. Apenas um de seus cachorros, justamente o que atende por Camões, acolhido por Saramago no dia em que recebeu o prêmio de mesmo nome, veio me recepcionar, não com latidos, pois os cães da casa não têm a detestável função defensora, mas com um abanar de rabos que era o mesmo que estar dizendo "entre, o Zé estava mesmo aguardando a sua chegada". Antes de seguir ao encontro do autor, fiz algum carinho ao pêlo do Camões, que me agradeceu com uma lambida áspera.



Achado, o mais humano dos cães (em, A Caverna)

Achado não teve ainda tempo de adquirir opiniões formadas, claras e definitivas sobre a necessidade e o significado das lágrimas no ser humano, no entanto, considerando que esses humores líquidos persistem em manifestar-se no estranho caldo de sentimento, razão e crueldade de que o dito ser humano é feito, pensou que talvez não fosse desacerto grave chegar-se à chorosa dona e pousar-lhe docemente a cabeça nos joelhos. Um cão mais idoso, e por essa razão, supondo que a idade está obrigada a suportar culpas duplicadas, mais cínico do que o cinismo que não pode evitar ter, comentaria com sarcasmo o afectuoso gesto, mas isso deveria ser porque o vazio da velhice o teria feito esquecer-se de que, em assuntos do coração e do sentir, sempre o demasiado foi melhor que o diminuído.




 
Na minha caixa postal



Senior Alphabet


A for arthritis

B for bad back

C is for chest pains. Perhaps cardiac?

D is for dental decay and decline

E is for eyesight--can't read that top line

F is for fissures and fluid retention

G is for gas (which I'd rather not mention

H high blood pressure (I'd rather have low)

I for incision with scars you can show

J is for joints, that now fail to flex

L for libido--what happened to sex?

Wait! I forgot about K!

K is for my knees that crack when they're bent
(Please forgive me, my Memory ain't worth a cent)

N for neurosis, pinched nerves and stiff neck

O is for osteo- and all bones that crack

P for prescriptions, I have quite a few

Give me another pill; I'll be good as new!

Q is for queasiness. Fatal or flu?

R is for reflux--one meal turns into two

S is for sleepless nights, counting my fears

T for tinnitus--I hear bells in my ears

U is for urinary: difficulties with flow

V is for vertigo, that's "dizzy", you know

W is worry, now what's going 'round?

X is for X ray--and what might be found

Y for another year I've left behind

Z is for zest that I still have my mind

Have survived all the symptoms my body's deployed,
and kept twenty-six doctors gainfully employed!


*****


Un conocido lord inglés reunía a sus amistades a tomar el té a la hora señalada todos los martes de cada semana en su palacio de Bloodshire.

Cierto martes, el puntualísimo caballero no apareció y los invitados estaban intrigados.

En cierto momento aparece el mayordomo y dice a los presentes, con típico "british accent":

- Señores, milord les pide disculpas por la demora y les anuncia que después de mucho tiempo, se ha reencontrado con su vieja y querida amiga Lulú, de París. Que si puede, dentro de una hora estará con ustedes, y si no puede, dentro de cinco minutos.

Muchas gracias.




24.6.03
 
Angela! Angela!


está o que acabei de ver aqui.


Bresson - Nova York, sul de Manhattan, 1947




 
Custódio


Nome: José Custódio Rosa Filho

Data de Fabricação: outubro de 1967, em São Paulo

Modelo: compacto, pequena capacidade de memória e baixa velocidade de processamento, mas consome pouca energia e cabe em qualquer canto da casa.

Sistema Operacional: bastante amigável e compatível com todos, excetuando-se talvez o Maguila e o Roberto Campos.

Disco Rígido: cartunista autodidata, desde 1988 colabora em diversas publicações sindicais e empresariais. Teve desenhos publicados na Veja, Pasquim, Diário do Comércio (SP) entre outros. Participou de salões de humor no Brasil e no Exterior (primeiro prêmio em Volta Redonda, em 1988).

Modem: edita a página Programa de Índio na Internet.

Periféricos: Vice Campeão Juvenil do "Torneio Início da Segunda Divisão da Federação Paulista de Futebol de Salão", em 1985, dublê de saxofonista e meia-esquerda esforçado.

Up grade: acha que a Internet é a droga ideal: leve, barata e vem por telefone.


(Extraído do Manual do Sexo Virtual - Ed Nova Alexandria)



Da série Rato de Sebo


Ubaldo





Drummond





Coelho





Filosofando






22.6.03
 
O Máximo!


Minha gente, assim dizia um desatinado ex-presidente, está no mínimo imperdível o Pedro Doria do dia 17 de junho.


Pêlos, por que tê-los?

17.Jun.2003 | O zoólogo Mark Pagel e o biólogo sir Walter Bodmer, ambos britânicos, têm uma nova teoria para explicar o porquê de sermos pelados - literalmente, explica-se: sem pêlos.

Fora nós e uma rara espécie de ratos, os únicos mamíferos sem pêlo ou têm uma pele dura qual crosta ou são aquáticos.

Para os cientistas, os pêlos sumiram-nos das peles porque tirar bichinhos e parasitas dava muito trabalho. Quem tinha menos pêlo precisava gastar menos tempo se limpando e era menos sensível a doenças.

Ficaram, no entanto, os pêlos pubianos.

Eles explicam: localizados ali naquele lugar, os pêlos seguram os feromônios. Têm, pois, um motivo principal: dar tesão.

É fato, no entanto, que nem todos os cientistas concordam com a nova teoria. A explicação clássica diz que os pêlos sumiram-nos quando construímos abrigos do frio e costuramos as primeiras roupas para protegerem-nos do frio.



*****


Agora leiam algumas pérolas que encontrei por lá, comentários que copiei talequal foram escritos. Não trouxe todos, senão perde a graça. Hoje é Domingo, pé de cachimbo, passa que é diversão garantida.


- falta ele esclarecer qual a funcao dos pêlos das axilas. enquanto isso, continuo precisando da gilette


- ... e também o que os ratos pelados fazem com o tempo extra que ganharam


- Imagino que os gatos vivem cheios de tesão.


- Acho mais plausível a explicação de que os pelos aqueciam demais o corpo para o deslocamento. Como temos postura ereta, continuamos com a cabeleira que é necessária (para proteger do sol).


- é por isso que os leões são os reis do mundo animal? Pq os pêlos nas axilas? Pq os pelos da sobrancelha? Pq o Toni Ramos não é um sex symbol? Hehehe


- em primeiro lugar, meu amigo ----, cabeleira nao é todo mundo que tem. eu particularmente tenho cada vez menos. e a dermatologista diz que vao continuar a cair e vao crescer nas costas e no ouvido(?) depois, uma constatação triste, cara ----, o tal do toni ramos é de fato um sex symbol, ou você acha que ele tá fazendo oque no horário nobre da grobis? abs do escovão


- Realmente estou perplexo com esta informação, de acordo, a História mostra e prova que os pêlos acabarão em breve, as crianças nascem com olhos abertos, e na adolescencia o pelo está cada vez mais escasso, isso é questão de evolução.


- A redução dos pelos se deu pela migração dos seres humanos do norte para o sul e do oriente para o ocidente. A necessidade de pelos para aquecimento do corpo foi diminuindo a medida que o homem foi colonizando o sul e o ocidente. Aqueles que tinham muitos pelos perderam na conquista do ocidente e do sul. Dai vc me perguntam " Mas esquimó não tem pelo?" Sim, não tem pelo, pois são exemplos de retorno evolutivo. Ou seja, o sentido da evolução migratória da espécie humana é Norte/oriente para sul/ocidente. Os esquimós são o retorno. Assim como as baleias e os golfinhos são o retorno a água dos animais...Ficou confuso? Acho que não.


- Pêlo é bom, dá renda pras depiladoras. Temos de valorizar o setor terciário da economia.


- Por Deus! Sexo sempre dá Ibope, não?!!!


- Rapaz... Ibope é pouco. (Pedro Doria)





20.6.03
 
Incolores Idéias Verdes...


Estou aqui tentando rabiscar uma crônica decente para a Nave desta quinzena. Poderia até ser indecente, desde que fosse boa, inteligente, ferina ou felina. Mas tá duro sair coisa que preste. Já revirei livros tentando plagiar alguma coisa fazendo com que parecesse um intertexto, um subtexto, um pretexto, sei lá! Já li trechos bíblicos numa inútil busca de alguma luz, já folheei clássicos, novelas, contos, até a revista Amiga, a Divina Comédia, e o velho Almanaque Capivarol que mantenho para emergências, mas... nada!
(Wilson Morais)



Outro dia, uma repórter me ligou para saber o que eu andava lendo. Almanaque Capivarol, respondi. Ela pediu para soletrar!
(Millôr)






Para viver cem anos


- Levamtem-se com os galos. Respirando o ar da manhã, respiramos saúde.

- Deitem-se com as galinhas. A noite foi feita para o repouso. Durmam oito horas por dia.

- Prefiram a vida de campo à das cidades.

- Alimentem-se com cousas simples, frescas e naturais, bem preparadas, sem artifícios culinários. Leite, óvos, carne assada, frutas, pouco pão e bem cozido. Uma colher de Capivarol às refeições.

- Não comam por simples gulodice, sem ter fome. As garfadas inúteis equivalem, às vezes, a punhaladas. O Pandigestivo, nêstes casos, será a única salvação.

- Não fumem. Se fumarem não traguem a fumaça. O fumo apressa a artério-esclerose.

- Não bebam. O álcool é o veneno dos tecidos musculares. E o único homem que não está arriscado a se tornar um alcoólico é o que não bebe nunca. Tome, antes, Luetyl, o super-depurativo.

- Não se apaixonem por vício algum. Evitem as emoções violentas.

- Evitem a fadiga e o esgotamento de respiração. Os que se fadigam demais acabam sofrendo do coração.

- Não andem pela rua sem prestar atenção aos veículos.

- Usem roupa pesada no inverno e leve no verão. Não imitem as mulheres, que, para seguirem a moda, fazem exatamente o contrário. No verão ou no inverno, usem Óleo de Ovo, de Carlos Barbosa Leite.

- Casem-se, tenham filhos, a vida conjugal é a mais propícia à longevidade. Os solteirões ou viúvos raramente chegam aos cem anos.


Observação: preservada a ortografia original





19.6.03
 
Torturante beleza



Excelente a coluna da Cora Rónai, no Globo de hoje.

Como é que uma mulher comum, que trabalha, cria filho e se estressa com as contas no fim do mês, pode ficar contente consigo mesma se o modelo que a mídia lhe aponta como mulher bonita é um mix de acasos genéticos, cirurgia plástica, estilos de vida especialíssimos, truques de luz e de produção e, last but not least , efeitos de computador?




Transcrevo aqui o comentário que deixei no InternETC.

A aparência física tem sido, cada vez mais, moeda de troca no mercado da valorização social. A beleza física, muitas vezes fabricada pelos especialistas em photoshop, é exaltada e reforçada diariamente pelos principais meios de comunicação. Estar bem, hoje em dia, significa ser magro e aparentar menos idade que a verdadeira, levando inúmeras pessoas às salas de cirurgia, em busca da aparência perfeita (?). Ou até mesmo a práticas torturantes, como o caso das chinesas. O fim justifica todos os meios. Distorção dos valores - dinheiro, juventude, beleza, em detrimento de justiça, amor e liberdade. Busca inútil da felicidade. Existe um ótimo livro sobre o assunto - A Euforia Perpétua - do escritor e filósofo francês Pascal Bruckner, lançado ano passado no Brasil.





17.6.03
 
Banana: preferência nacional




picture quest

Sexta-feira é dia do caderno "Fim de Semana", da Gazeta Mercantil. Eu sempre pego lá na empresa e trago para casa, já que pouca gente se interessa. Na última sexta, dia 13, pra variar, a Gazeta não chegou. Entregaram hoje, quando pude constatar que bananas estão mesmo na moda. O mais interessante é que uma das autoras é também minha xará. Com vocês, a reportagem (atrasada) do dia:


Recentemente correu o boato horrível de que as bananas estavam em extinção. Que em uma década sumiriam. Logo elas, consideradas como algo que está sempre disponível, fácil de achar, barato ("preço de banana"). Parece que não passava de um pânico eco terrorista. Mas é uma boa hora para colocar a banana em evidência, o que fazem Heloísa de Freitas Valle e Marcia Camargos no seu excelente "Yes, Nós Temos Bananas", que será lançado no dia 17 de junho, 19h, no Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, São Paulo). Misturando bem a informação com a anedota, a receita correta com a curiosidade histórica, o livro é daqueles necessários na prateleira da cozinha brasileira, tão pobre de títulos nacionais relevantes.

Não há assunto sobre a fruta em que não toquem, de sua história antiquíssima, até a enumeração das virtudes terapêuticas e alimentícias. Agarro ansiosamente o livro, procurando o tema da possível desaparição da fruta. A resposta é um alívio, a solução já está sendo dada, com o plantio de variedades resistentes ao fungo que a ameaçava. E ainda fico sabendo que no Sri Lanka se considera que Adão e Eva foram tentados pela oferta de uma banana e não da maçã do nosso mito ocidentalizado; que a banana é a quarta cultura do mundo (depois de arroz, trigo e milho); que da biomassa de banana verde - invenção pioneira e generosa de Heloísa de Freitas Valle, que possibilita sua utilização sutil e fortemente nutritiva de maneira ampla - faz-se enorme variedade de receitas, até um inusitado nhoqueban e a torta de damascoban (o livro é todo testado, coisa rara ultimamente em livros de receitas). Há um passo-a-passo detalhado ensinando a processar a biomassa e que propõe, inclusive, o aproveitamento das cascas. De tão simples, até o leigo em cozinha será capaz de fazer.

Pego uma banana para olhá-la com atenção, conseqüência da leitura. Poucas frutas a igualam, assim tão linda, eficazmente planejada, parecendo saída da prancheta de um designer cuidadoso, uma versão em fruta da mistura de forma e função que gera beleza, como pregava a Bauhaus. Fácil de segurar, aerodinâmica, com a casca rígida o suficiente para proteger a polpa delicada, mas suave o bastante para ser retirada sem esforço ou ferramenta alguma. É a fruta mais portátil que há, pode ser comida em qualquer lugar. A banana é a fruta moderna por excelência! Mesmo úmida e saborosa, não solta caldos desnecessários e não suja, sendo que a casca cumpre o papel simultâneo de talher e guardanapo. Nem mesmo tem sementes desagradáveis a sobrar na boca. Uma perfeição. E no entanto ainda é desprezada, desconsiderada como fruta útil a combinações sofisticadas, imprópria para a alta gastronomia, anatomicamente sujeita a todo tipo de metáforas cafajestes e politicamente depreciada: nada pior que ser uma república bananeira, estes pequenos países excessivamente quentes que produzem somente tiranetes militares e bananas.

Por tudo isto é preciso dar ouvidos às autoras, considerar a banana, olhá-la com respeito, ver num samba de 1939 cantado por Araci de Almeida o que pode ser nossa própria utopia epicurista: "Lá em casa a dona Crise está segura/ Faz uma semana que ninguém pega gordura/ Pão com banana é a nossa refeição...". Se nos tocarem tempos difíceis, em que precisemos nos meter ainda mais fundamente em jardins de Epicuro, onde estarão os amigos e onde poderemos exercer um mínimo de civilidade e prazeres, o que vamos encontrar? O que de fato temos no nosso horizonte brasileiro? Nossos jardins são quintais, e neles há bananeiras, com pencas de bananas, muito dignas, muito úteis, muito saborosas. Felizmente, elas estarão sempre conosco.


13/06/03 - Gazeta Mercantil/Fim de Semana, p.6 - Luiz Henrique Hortafont






16.6.03

15.6.03
 
Como fundar a ética hoje?

Leornardo Boff (Folha de São Paulo de hoje)

A ternura é o cuidado com o outro, o gesto amoroso que protege. O vigor é a contenção sem a dominação, a direção sem a intolerância. Ternura e vigor, ou também "animus" e "anima", constroem uma personalidade integrada, capaz de manter unidas as contradições e se enriquecer com elas.
Aqui se funda uma ética, capaz de incluir a todos na família humana. Essa ética se estrutura ao redor dos valores fundamentais ligados à vida, ao seu cuidado, ao trabalho, às relações cooperativas e à cultura da não-violência e da paz.


Lá na Tati tem mais.



 
Prévert

Cá estou eu, mais uma vez, nesse meu computador. De vez em quando fico a remexer em seus arquivos - baú dos meus guardados - que se avolumam ano a ano, em bytes e afetos. Foi aí que achei Jacques Prévert, um dos meus poetas favoritos. Prévert foi letrista de canções interpretadas por Juliette Gréco e Yves Montand, roteirista de filmes dirigidos por Jean Renoir e Marcel Carné, mas é como poeta que ele se destaca.

"A obra prevertiana nasce da necessidade de se ir até o Outro e de criar uma realidade mais maravilhosa que surja das coisas ao mesmo tempo simples e secretas do cotidiano. Não é freqüente ver coabitar num mesmo indivíduo um poeta, um homem de cinema, um dramaturgo e um "parolier" de canções em voga. Prévert, aquele que transforma em poesia tudo aquilo em que ele toca." (Eclair Antonio Almeida Filho - Mestre em Língua e Literatura Francesa - UFRJ e Doutorando em Literatura Francesa - USP).

Poemas, de Jacques Prévert
Seleção e Tradução de Silviano Santiago
Edição Bilíngue
Editora Nova Fronteira

Para a Ruth, que teve uma semana de cão!















Chanson des escargots qui vont à l'enterrement Canção dos caramujos que vão ao enterro

A l'enterrement d'une feuille morte
Deux escargots s'en vont
Ils ont la coquille noire
Du crêpe autour des cornes
Ils s'en vont dans le soir
Un très beau soir d'automne
Hélas quand ils arrivent
C'est déjà le printemps
Les feuilles qui étaient mortes
Sont toutes ressuscitées
Et les deux escargots
Sont très désappointés
Mais voilà le soleil
Le soleil qui leur dit
Prenez prenez la peine
La peine de vous asseoir
Prenez un verre de bière
Si le coeur vous en dit
Prenez si ça vous plaît
L'autocar pour Paris
Il partira ce soir
Vous verrez du pays
Mais ne prenez pas le deuil
C'est moi qui vous le dis
ça noircit le blanc de l'oeil
Et puis ça enlaidit
Les histoires de cercueils
C'est triste et pas joli
Reprenez vos couleurs
Les couleurs de la vie
Alors toutes les bêtes
Les arbres et les plantes
Se mettent à chanter
A chanter à tue-tête
La vraie chanson vivante
La chanson de l'été
Et tout le monde de boire
Tout le monde de trinquer
C'est un très joli soir
Un joli soir d'été
Et les deux escargots
S'en retournent chez eux
Ils s'en vont très émus
Ils s'en vont très heureux
Comme ils ont beaucoup bu
Ils titubent un p'tit peu
Mais là-haut dans le ciel
La lune veille sur eux

Ao enterro de uma folha seca
Vão dois caramujos
Têm a concha negra
E véu negro em volta das antenas
Vão pela noite
Uma bela noite de outono
Quando chegam, coitados!
Já chegou a primavera
E as folhas que jaziam pelo chão
Todas tinham ressuscitado
Os dois caramujos
Ficam muito desapontados
Mais eis o sol
O sol que lhes diz
Façam o favor
Façam o favor de sentar
Tomem um copo de cerveja
Se vontade lhes dá
Tomem, caso queiram
O ônibus para Paris
Parte esta noite
Poderão admirar a paisagem
Mas não ponham luto
Sou eu quem lhes aconselha
Escurece o branco do olho
E também enfeia
Histórias de enterro
São tristes e nada belas
Ganhem as suas cores
As cores da vida
Então animais
Árvores, plantas, todos
Começaram a cantar
A cantar aos berros
A verdadeira canção viva
A canção do verão
E todo o mundo a beber
E todo o mundo a saudar
É uma bela noite
Uma bela noite de verão
E os dois caramujos
Voltam para casa
Voltam muito comovidos
Muito felizes
Como beberam demais
Ziguezagueiam um pouco
Mas no céu, lá no alto
A lua os protege



13.6.03

12.6.03
 
Carta dum Contratado

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio
de te perder
deste mais bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta de confidências íntimas,
uma carta de lembranças de ti,
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse nossos tempos na capopa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajús e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor....

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero! - não sei escrever também.

António Jacinto (1924-1991)




11.6.03
 
GANHEI!!!







...e já modifiquei




Valeu Matusca! Beijo.




10.6.03
 
Na minha caixa postal

Angela (a Outra), a inspiração do post veio do seu blog.

A TPM EM 4 FASES

Segundo a visão masculina

Fase 1 - A Meiguinha

Tudo começa quando a mulher fica meio dengosa, grudentinha. Bom sinal? Talvez, se não fosse mais do que o normal. Ela te abraça do nada, fala com aquela vozinha de criança e com todas as palavras no diminutivo. A fase começa a chegar ao fim quando ela diz que está com uma vontade absurda de comer chocolate. O que se segue, é uma mudança sutil deste comportamento aparentemente inofensivo, para um temperamento um pouco mais depressivo.

Fase 2 - A Sensível

Ela passa a se emocionar com qualquer coisa, desde uma pequena rachadura em forma de gatinho no azulejo em frente à privada, até uma reprise de um documentário sobre a vida e a morte trágica de Lady Di. Este estágio atinge um nível crítico com uma pergunta que assombra todos os homens, desde os inexperientes até os mais escolados, como o meu pai.
"Você acha que eu estou gorda?" Notem que não é uma simples pergunta retórica. Reparem na entonação, na escolha das palavras. O uso simples do verbo "estou", ao invés da combinação "estou ficando", torna o efeito da pergunta muito mais explosivo do que possamos imaginar. E esta pergunta, meus amigos, é só o começo da pior fase da TPM. Esta pergunta é a linha divisória entre esta fase sensível da mulher para uma fase mais irascível.

Fase 3 - A Explosiva

Meus amigos, esta é a fase mais perigosa da TPM. Há relatos de mulheres que cometeram verdadeiros genocídios neste período. Desconfio até que várias limpezas étnicas tenham sido comandadas por mulheres na TPM. Exageros à parte, realmente esta é a pior fase do ciclo tepeêmico. Você chega, ela está de pijama, pantufas e descabelada. A cara não é das melhores quando ela te dá um beijo bem rápido, seco e sem língua. Depois de alguns minutos de silêncio total da parte dela, você percebe que ela está assistindo aquele canal japonês que nem ela ou você sabem o nome. Parece ser uma novela ambientada na era feudal, sem legendas.

Então, meio sem graça, sem saber se fez alguma coisa errada, você faz aquela famosa pergunta:

"Tá tudo bem?" A resposta é um simples e seco "tá" sem olhar na sua cara. Não satisfeito, você emenda um "tem certeza?", que é respondido mais friamente com um rosnado baixo e cavernoso - "teenhoo...".

Aí, como somos legais e percebemos que ela não tá muito a fim de papo, deixamos tudo quieto e passamos a tentar acompanhar o que Tanaka está tramando para tentar tirar Kazuke de Joshiro, o galã da novela que...

- Merda, viu!? - ela grita de repente.
- Que foi? A Fase Explosiva acaba de atingir o seu ápice com essa pergunta. Sem querer, acabamos de puxar o gatilho. Veja bem o que se segue:

"- Você não liga pra mim! Tá vendo que eu tô aqui quase chorando e você nem pergunta o que eu tenho! Mas claro! Você só sabe falar de você mesmo! Ah, o seu dia foi uma merda? O meu também! E nem por isso eu fico aqui me lamuriando com você! E pára de me olhar com essa cara! Essa que você faz, e você sabe que me irrita! Você não sabe! Aquele vestido que você me deu ficou apertado! Aaaai, eu fico looooouca quando essas coisas me acontecem! Você também não quis ir comigo ao shopping trocar essa merda! O pior de tudo é que hoje, quando estava indo para o trabalho, um motoqueiro mexeu comigo e você não fez nada! Pra que serve este seu Jiu Jitsu? Ah, você não estava comigo? Por que não estava comigo na hora? Tava com alguma vagabunda? Aquela sua colega de trabalho, só pode ser ela. E nem pra me trazer uma droga de um chocolate! Cala sua boca! Sua voz me irrita! Aliás, vai embora antes que eu faça alguma besteira. Some da minha frente!"

Desnorteado, você pede penico e vai embora. Tenta dar um beijinho de boa noite e quase leva uma mordida.

Fase 4 - A Cólica

No dia seguinte o telefone toca. É ela, com uma voz chorosa, dizendo que está com uma cólica absurda, de não conseguir nem andar. Você vai à casa dela e ela te recebe dócil, superamável. Faz uma cara de coitada, como se nada tivesse acontecido na noite anterior e te pede pra ir à farmácia comprar um Atroveran, Ponstan ou Buscopan pra acabar com a dor dela. Você sai pra comprar o remédio meio aliviado, meio desconfiado.

"O que aconteceu?", você se pergunta. "Tudo bem", você pensa. "Acho que ela se livrou do encosto".
Pronto! A paz reina novamente. A cólica dobra (literalmente) a fera e vocês voltam a ser um casal feliz.

Pelo menos até daqui a 20 dias... "



 
BlogChalking

Para quem não sabe, blogchalk é aquele bonequinho que a turma põe lá num canto do blog pra dizer, principalmente, se é homem ou mulher. Quem não é nenhum dos dois não põe nada. E antes que algum engraçadinho diga que o meu está sem o bonequinho, já vou avisando que sua ausência é devida a uma certa inexperiência, ou incompetência, sei lá. O homem é representado por uma carinha de maluco com a boca grande e o cabelo em pé, a mulher aparece com meia maria-chiquinha.
Mas vamos ao meu detalhado milkshake, digo, blogchalk:

Nome: Heloisa
Apelidos: Helô, Lô, Heló, Ló, Lolô, Loló, Heloca, Dona Helô, Heloise Marie, etc & etc
Sexo: Mulher, com certeza!!!
Idade: 8 a 80, dependendo do dia e do humor
Altura: passo em qualquer porta, inclusive de casa de cachorro
Peso: não importa, o que importa é a consciência: leve, leve... Tão achando que eu sou besta?
Cidade: Juiz de Fora, a Manchester Mineira ou Princesa de Minas
Fala: Português e Mineirês
Tempo conectada: mais do que devia, menos do que gostaria
Tipo de conexão: via-rádio, 800 MHz, conforme ilustração




8.6.03
 
Vida de blogueiro

Que felicidade! Consegui fazer o blog. Madrugada de sábado, vista ardendo, coluna doendo, mas precisava botar no ar a minha cria. Tinha de ser já, não podia mais adiar. Pronto! Quase tudo funcionou, menos o link para o BlogFAQ do Edney, que teima em substituir as aspas por outro caractere. Apago a dica para blogueiros iniciantes e nos últimos ajustes recebo o primeiro comentário da amiga querida, emoção parecida como a do primeiro soutien. Respondo rapidamente. Blog no ar, um minuto depois entram 4 mensagens na minha caixa postal - spam, spam, spam e spam. As conexões é que precisavam desta velocidade. Sigo em frente, fecho o blog e abro novamente, sumiram os comentários! Fecho, abro, fecho, não abre mais. Droga! Fecho tudo, abro novamente e os comentários continuam desaparecidos. Não dá mais, vou dormir, perdi o meu primeiro comentário. Frustração, decepção.
Manhã de domingo, ligo o computador e? Tchan tchan tchan tchan! Como num passe de mágica lá estavam eles, agora enriquecidos pelas palavras da guria do Postal, moça sensível que tem sempre belos escritos. Alívio, mas até quando?



 
Yes! Nós temos banana.

Considerações iniciais.
Embora isto aqui não seja festa de entrega do Oscar, deixo o meu agradecimento especial a Angela Scott Bueno e ao Matusca, grandes amigos e maiores incentivadores. A idéia do nome - Banana&Etc - surgiu meses atrás, em um comentário no blog da Cora, numa acalorada discussão sobre a guerra do Iraque e o antiamericanismo. O tempo disponível no computador é pouco, mas a vontade de fazer o blog foi muito maior.
Enfim, às bananas! O etc vem depois...



Yes! Nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana menina tem vitamina
Banana engorda
E faz crescer

Vai para a França o café
Pois é!
Para o Japão o algodão
Pois não!
Pro mundo inteiro
Homem ou mulher
Bananas para quem quiser

Mate para o Paraguai
Não vai
Ouro do bolso da gente
Não sai
Somos da crise
Se ela vier
Bananas para quem quiser

Autores: Braguinha e Alberto Ribeiro

Aqui tem banana e muito mais...


HOMENAGENS

A
Angela, uma das pessoas mais gentis e elegantes que eu já conheci.

CHÁ DE JASMIM, O CHÁ IMPERIAL.



Ingredientes: Uma colher de chá das folhas, para cada xícara de água fervente.
Nota: As folhas deste honorável chá de jasmim são prensadas junto com pequenas flores do jasmim estrelado e guardadas durante anos, antes de serem usadas.
Este chá é famoso em todo o Extremo-Oriente e antigamente, na China Imperial, era usado somente pelos nobres da Corte.

Preparo: Encha um bule em forma de pássaro com água de orvalho, ou das tuas lágrimas. Ponha-o em fogo brando até que a água comece a sorrir. Escute o suave ruído crescer até se tornar uma gargalhada de onda revolta. Retire e despeje numa taça de porcelana, macia como os fios do bicho-da-seda, onde já repousam as folhas do chá de jasmim, colhido por virgens nas colheitas do terceiro mês da Lua Brilhante. Mexa com uma colher de porcelana vermelha pintada de dragões.
Depois, cubra a taça com um pedacinho de seda azul - cor do céu depois das chuvas. Sentirás um aroma doce como o Jardim das Flores que não murcham nunca. Leve a taça aos lábios e beba devagar sete pequenos goles.
Teu corpo ficará leve como a primeira névoa da manhã e então, somente então, sentirás a felicidade suprema...

(Chiang Sing - Receitas Tradicionais da Cozinha Chinesa)

Ao Matusca

Os antigos egípcios acreditavam que a preservação do corpo garantia a passagem à vida após a morte. Se o corpo não fosse preservado, a alma não o reconheceria e os dois não poderiam se reencontrar no mundo do além. Lá no além existe uma querida múmia com ataduras vencidas. Aqui estão suas novas ataduras, Matu, embebidas em Acqua Di Gió, essência guardada há anos em vaso de alabastro.





7.6.03